Livro: Harry Potter And The Cursed Child

harry-potter-and-the-cursed-childSem spoilers

Sei que não tenho mais escrito resenhas sobre os livros que li aqui – tenho registrado no Instagram e na fanpage do blog -, mas como não falar mais sobre o que tem sido chamado “oitavo livro do Harry Potter”.

Eu não consegui ainda chamá-lo assim.

Harry Potter And The Cursed Child não foi escrito por J.K. Rowling. A bem da verdade ele não é um “livro” propriamente dito. Ou melhor, ele não é um romance – gênero literário que inclui praticamente todas as histórias contadas.

Temos nesta publicação – em português a pré-venda já começou, mas o livro ainda demora mais de um mês para chegar – o roteiro da peça que estreou em Julho na Inglaterra e que foi baseada no mundo criado por JK Rowling em seus livros e em uma história escrita por ela inédita para o grande público.

Dito isto e antes que você se impressione com algumas resenhas que apontam como defeitos aquilo que falta no livro, lembre das duas coisas: não é um livro de JK e não é uma história.

É o apanhado dos diálogos da peça – e nem a versão final deles, já que se trata da versão de ensaio, que sofre pequenas alterações antes da estreia; a final será publicada em 2017 com fotos da produção – com algumas frases que eu chamei de orientativas: elas dizem quem entrou no palco, algumas vezes fala das faces dos personagens que não estão falando, como dicas para as pessoas que estão ensaiando saibam se posicionar e entendam aonde estão sem que o cenário esteja lá.

Se você prestou atenção ao que eu escrevi e realmente gosta do mundo de JK, bem, então eu duvido que você não goste do livro.

Lembram da cena final do último livro/filme, com Harry e Gina chegando a King’s Cross com seu três filhos, o filho do meio indo pela primeira vez para Hogwarts? Este é nosso ponto de partida.

Enquanto Tiago (e minha mente fica repetindo James porque na versão original o nome do pai, e do filho, de Harry é James) já é um veterano, Alvo Severo é um menino tímido que morre de medo de não estar a altura das expectativas dos outros. Ele é o filho daquele que não somente sobreviveu, mas como venceu o senhor das trevas. E ainda carrega o nome de duas figuras históricas importantes para o mundo dos bruxos.

Não ajuda nada quando o chapéu seletor o envia para a Sonserina.

Se este não parece o destino provável para um filho de Potter e Gina, bem, é onde ele vai encontrar seu primeiro amigo verdadeiro, Scorpius Malfoy. Os dois tem em comum a dificuldade em lidar com o que os demais pensam deles: o primeiro pelo fato dele não ser brilhante como se esperava que um filho de Potter fosse, o segundo por carregar o sobrenome de uma família ligada a Voldermort. Os dois tem dificuldades no relacionamento com seus pais.

O livro nos dá a oportunidade de dar uma rápida olhada em que tipo de adultos nosso personagens favoritos se tornaram, que tipo de pais se tornaram e, uma das minhas coisas favoritas, traz o mesmo Harry dos livros, aquele que se tornou herói pelo acaso das coisas e não porque era heroico, que tem medos e inseguranças.

Só que o livro é mesmo sobre Alvo e Scorpius e como eles acabam se metendo em confusão ao tentarem corrigir algo no passado que eles acreditam precisar ser mudado. Se com o trio original as coisas pareciam persegui-los, aqui eles são ótimos em arrumar a encrenca sozinhos.

Se a escrita não é de JK e se existem alguns pequenos detalhes que contradizem coisas que aprendemos sobre o mundo mágico, nada disso faz com que não gostemos dos personagens ou que a gente não sinta que está em casa, que está na Hogwarts que conhecemos e amamos.

prateleira harry potter

Com spoilers leves

Ainda assim é fácil entender algumas críticas realizadas quando alguns detalhes sobre a peça começaram a ser divulgados, ainda que boa parte deles perca a razão de ser quando lemos o roteiro completo.

Sim, a verdade sobre quem é a “criança amaldiçoada” de que o título fala é um tanto absurda, nossa vilã, não se encaixa nos acontecimentos do último livro da série original, ainda assim eu consegui aceitá-la porque todo o resto da construção foi muito feliz. Acredito que os roteiristas quiseram criar uma conexão ainda mais forte com o que já conhecíamos e acabaram exagerando um pouquinho.

Outas críticas se referem a pequenos pontos que contradizem a história original, como a possibilidade de um vira-tempo viajar muitos e muitos anos antes – se assim fosse boa parte do que vimos nos primeiros livros não precisaria ser feita, do outro lado o risco de algo assim realmente existir seria impossível de ser medido então.

Do outro lado, a possibilidade de ver como pequenos detalhes poderiam mudar tudo na história que conhecemos funciona bem demais!!! Imaginar que se Rony não sentisse ciúmes de Hermione no grande baile faria com que eles não ficassem juntos, imaginar um mundo em que Snape não morreu. Foi interessante passar por estas possibilidades, ainda mais porque depois voltamos ao já conhecido e querido presente que os livros nos trouxeram.

Mais uma prova de que a história original é perfeita.

P.S. Fui buscar nos arquivos: o blog existe há tempo o bastante para que eu pudesse falar do último livro de Harry Potter, mas eu não falei. Eu apenas comentei que havia terminado de ler a edição em inglês e que ainda leria em português, o que fiz. Mas escrever sobre, não.

Bom, isso significa, então, que este blog já tem dez anos de existência. Uma prova de que a teimosia do sangue espanhol tem sua valia.

P.S. do P.S. A prateleira aí de cima agora está a espera da versão estendida de Animais Fantásticos e, quem sabe, mais uma ou duas novas histórias….

Escrito por Simone Miletic

Formada em contabilidade, sempre teve paixão pela palavra escrita, como leitora e escritora. Acabou virando blogueira.

Escreve sobre suas paixões, ainda que algumas venham e vão ao sabor do tempo. As que sempre ficam: cinema, literatura, séries e animais.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *