Somente mil palavras

Outro dia deixei em um canal, acho que foi no Universal, esperando o começo de uma série. Estava sendo exibido um filme eu fazendo outra coisa, então a ideia era não perder o início do episódio, mas não prestar atenção ao que passava, ainda mais porque era um filme com o Eddie Murphy e eu meio que peguei bode dele nos últimos tempos.

Só que ente uma coisa e outra os olhos desviavam para a tela porque os ouvidos estavam capitando umas frases interessantes. Quando vi já tinha largado o que estava fazendo e estava prestando toda atenção ao filme.

Não, não era um filme sensacional nem nada, com roteiro merecedor de Oscar e com Eddie entregando sua melhor atuação até hoje. Mas a ideia do filme, ah, isso era fascinante.

Imagine um pouquinho: de uma hora para outra você, todo falante e brincalhão, que adora dar opinião sobre tudo, passa a ter um número limitado de palavras para usar. Você tem apenas mais 1.000 palavras e depois disso você morrerá.

Ou seja, não é simplesmente o fato de que você perderá sua voz, mas você morrerá após dizer sua milésima palavra.

O que você faria?

O personagem de Eddie no filme buscou loucamente uma forma de mudar seu destino, mas enquanto não o conseguia ele precisou mesmo é pensar no que estava falando, coisa que ele já havia se desacostumado a fazer.

Em tempo: claro que o filme teve um final previsível, com o personagem percebendo que ela precisava perdoar algumas coisas e mudar em relação a outras para que sua vida voltasse ao normal. Ainda assim, se ele conseguiu fazer com que eu e mais meia dúzia refletíssemos sobre o tema, já acho válido.

E você? Você pensa mesmo antes de sair falando? E se você também só tivesse as tais mil palavras?

Olha, eu, que no primário (não se usa mais, não é?) já fui a boneca tagarela na peça de final de ano da escola, me pego pensando nisso a todo momento desde então.

E acho que também ando mais quieta, o que tem se mostrado bastante eficiente.

 

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Um comentário em “Somente mil palavras”

  1. Lu Monte
    Lu Monte 14/10/2014 em 3:47 pm

    Na vida real, estou cada vez mais quieta… e mais seletiva não só com o que falo, mas pra quem falo.

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