A medida do sucesso

Uma conversa sobre Supernatural no Facebook pode fazer com que você reavalie, de novo, algo que você acredita?

Este post é uma prova disso: uma amiga falava sobre o fato de ter abandonado Supernatural e com isso não ver Jasen Ackles – bom ator e bonito e inteligente, sim, isso existe.

Outra emendou que achava uma pena o fato dele não ter largado a série eternamente adolescente que, como bem disse Paulo Antunes, é querida de todos, mas não é favorita de ninguém. Ele deveria, já que é bom ator, ter buscado novos projetos, novas chances, quem sabe o cinema.

Aí, quando eu li isso, eu lembrei de uma frase da mãe da Megan na série Mad Men – sorry, assisto a séries demais então é bem provável de que ao falar de qualquer assunto eu arrume uma referência em alguma delas: Marie ouve sua filha falando sobre seu sonho de ser atriz e fala algo como “o mundo simplesmente não tem espaço para tantas bailarinas”.

E, poxa, acho que pode até ser difícil aceitar isso, mas é a pura verdade. Não é que aquela moça que se dedicou ao ballet desde muito nova, se mantém muito magra e tentou mil seleções não seja talentosa, pode ser que simplesmente não havia mais espaço para mais uma bailarina naquele momento.

Não é que aquele ator que fez um papel com um desempenho inacreditável tenha tido apenas sorte, mas ele pode nunca mais ter conseguido um papel, um filme, um sucesso ou seja lá o que que o mantivesse no topo depois disso.

No caso do Ackles, isso me fez pensar em suas decisões: tá, Supernatural pode nunca ser respeitada como série séria, pode ser que o talento dele – que ele tem, defendo isso até a morte- nunca seja “reconhecido”.

Do outro lado, ele é o protagonista – porque ele carrega o Padalecki – de uma série de sucesso,que  pode, por conta disso, se arriscar na direção e roteiro, se diverte horrores nos bastidores, as fotos comprovam, e ainda tem uma agenda que permite curtir a família, estar com seus filhos, programar férias.

Ainda: se ele tivesse deixado a série pode ser que ele ficasse para sempre no famoso limbo deixei-uma-série-de-sucesso-para-ser-um-sucesso-no-cinema-e-simplesmente-nunca-cheguei-lá. De cabeça lembro de pelo menos cinco exemplos disso para contrabalancear o fato de George Clooney ter se tornado um astro muito bem pago.

A grande verdade é que nunca saberemos o “e se” desse lado da história dele e, além de tudo, pode ser que ser o tal astro de cinema realmente nunca tenha sido o sonho da vida dele.

Pode ser, vejam só, que ele tenha sonhado em poder trabalhar no que gosta, de uma forma legal e que permita que ele curta a vida pessoal dele. E se ele sonhou com isso ninguém pode discutir o quanto de sucesso ele conseguiu.

Na verdade, sucesso e fracasso são bem difíceis de se avaliar a não ser que você esteja, como dizem por aí, calçando os sapatos da pessoa.

A grande verdade é que sucesso e fracasso significam coisas diferentes para cada um e um lado meu acha que estamos num momento perfeito para isso, para nos arriscarmos a buscar o nosso sucesso.

Porque os tempos estão difíceis e não existem garantias. Porque uma boa faculdade não significa um bom emprego, porque um bom emprego pode não durar, porque a felicidade, definitivamente, passa longe do ter cada vez mais.

Então, se é arriscado seguir o modelos de sempre, melhor arriscar realizar seus sonhos, não é mesmo?

ackles eye of tiger

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2 comentários em “A medida do sucesso”

  1. Lu Monte
    Lu Monte 02/05/2014 em 9:43 am

    Que texto excelente! Você tocou num ponto que volta e meia me incomoda: por que as pessoas não podem simplesmente respeitar as escolhas alheias? O Jensen está claramente satisfeito com a carreira, mas tem gente que acha que ele não é “bem-sucedido” porque não está no cinema. Ora, só ele pode medir o próprio sucesso (e vamos combinar que, ainda por cima, ele é muito bem pago pra fazer o que gosta – quantos podem dizer o mesmo?).

    Olha o Hugh Laurie, que fez um baita sucesso com House, a série ganhou vários prêmios, mas ele resmungava o tempo todo por ter tido que se mudar pra L.A.

    Essa história vale para mulheres que não querem filhos, homens que não querem abrir o próprio negócio, pessoas que se casam, se separam ou vivem sozinhas, sempre em busca da felicidade e do que elas consideram sucesso.

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