Sonho que se sonha só também vira realidade

Mais um SESC Verão anda rolando nas unidades da rede agora que o calor parece ter chegado para valer – programação para São Paulo nesse link aqui.

Marcel Sturmer no SESC Pompéia - Reprodução Proibida

Marcel Stürmer no SESC Pompéia – Reprodução Proibida

Aqui somos fãs da programação do SESC o ano inteiro – e somos bem felizes de ter um SESC ao alcance de uma caminhada -, mas é impossível negar que a programação especial das férias ensolaradas é o período mais gostoso do ano, ainda mais se você for uma criança cheia de energia para gastar.

Nesta semana já aproveitamos dos bambolês, petecas e oficinas, além de uma nova visita a Exposição de Brinquedos que fica na unidade da Pompéia até o final de fevereiro.

Só que o sucesso da semana entre a criançada por aqui foi nada menos do que o andar de quadras dedicado a skates, bicicletas e patins. Além de monitores para ajudar os iniciantes, o SESC tinha equipamento disponível para empréstimo, garantindo que ninguém ficaria de fora. Carol aproveitou bem e já está bem mais solta, o que me faz lamentar, confesso, que a patinação não continue pelas próximas semanas de férias.

Ontem, fechando com chave de ouro, Marcel Stürmer, gaúcho tricampeão dos Jogos Pan-americanos e campeão nos Jogos Mundiais de 2013 esteve por lá, primeiro conversando com a criançada e depois apresentando uma de seus coreografias.

Foi muito legal ouvir o Marcel, tão jovem, mas com tanta experiência para dividir com a gente. Ouvir sobre a vontade de desistir algumas vezes, como quando foi roubado em Porto Alegre e teve de embarcar para o Pan-americano de Guadalajara sem patins ou roupa de apresentação, substituídos as pressas, ou pelo fato de ter de depender demais de “paitrocínio” em um país em que o governo só valoriza atletas já consagrados e quase sempre apenas nos esportes mais conhecidos.

Ainda assim ele batalhou por seus sonhos, foi até campeão em Guadalajara, contra todas as apostas, e hoje serve de exemplo para quem ainda está apenas começando. Falando de todas as dificuldades ele mostrava que o esforço, mesmo que algumas vezes solitário, vale a pena. E uma de suas frases ficaram na minha cabeça enquanto eu voltava para casa: “o país precisa se preocupar menos em trazer eventos esportivos para cá e mais em valorizar seus atletas”.

Não poderia concordar mais: quando houver um incentivo real ao esporte, de todo tipo, desde cedo, o país vai poder mostrar lá fora do que nossas crianças e jovens são capazes.

Do outro lado, fiquei pensando no desespero de muitos pais quando o filho só quer saber de esporte ou arte, cujo futuro profissional sempre parece incerto. Seria então algo como o segredo de Tostines: o governo não valoriza porque culturalmente o povo não valoriza, ou o povo não valoriza porque o governo não valoriza?

Meu marido sempre conta, por exemplo, do tempo em que jogava futebol de salão pelo Palmeiras e a mãe falava que ele devia estudar ao invés de treinar se quisesse ser alguém na vida. O próprio Marcel comentou, no SESC, que o fato de vir de uma família de esportistas o ajudou em muitos momentos em que teve que viajar ou parar de estudar por um tempo.

Aí eu ia falar dos EUA, por exemplo, em que grandes atletas e artistas ganham bolsas nas melhores universidades, mas lembrei que grandes alunos também ganham e que a diferença vai muito além disso e percebi que é impossível comparar.

Uma pena quando nem sonhar com o que se gosta é fácil…

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