Escolhas

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Uma amiga querida escreveu em um e-mail algo assim: adultos precisam lidar com suas dores. O assunto não tinha nada a ver com este texto aqui, mas a observação é válida nos mais diferentes aspectos de nossas vidas. Incluo aí lidarmos com escolhas.

Lembro de que, quando a Carol ainda estava no berçário, em uma conversa dos pais com a diretora da escola ela nos disse que crianças tem dificuldades em escolher, por que escolher uma coisa é negar outra e isso ainda é muito doído para eles. Então ao invés de perguntar “que roupa você quer colocar” devemos escolher duas ou três e então pedir que eles escolham, não somente facilitando o processo, mas os ajudando a entender como fazer isso no futuro.

Agora há pouco eu desmarquei um compromisso de final de dia. O marido tem uma reunião a tarde e provavelmente não retornará a tempo de me emprestar seu carro e esse compromisso é num lugar complicado para chegar de transporte público, caro para chegar de táxi e, como a filha vai junto, ir a pé ou de bicicleta um tanto inviável.

Do outro lado da linha – eu odeio falar ao telefone! – a moça me respondeu “é um problema não ter carro, né?”. Me despedi sem falar mais nada, mas fiquei com a frase na minha cabeça.

Não, não é um problema para mim não ter carro. Eu realmente não saio tanto, deixo de fazer programas para os quais eu não possa usar pé-bicicleta-metrô-ônibus-táxi.

Também compro menos coisas no mercado, uso muito mais o comércio do bairro e escolhi uma escola para minha filha que talvez não tenha uma super infraestrutura, ainda que boa na parte que interessa do ensino, mas para a qual podemos ir as duas, e a cã, a pé.

Não, não é um problema não ter carro, é uma escolha. Uma escolha que me tornou mais saudável, que me permitiu fazer amizade com vizinhos antes desconhecidos, que me dá mais tempo para curtir minha casa, que me mostra todos os dias outras belezas – do muro grafitado ao sobrado bem cuidado, das flores dos ipês caídas nas ruas aos cães latindo nos portões.

A gente, quando adulto, precisa lidar com as próprias dores e, também, precisa aprender a fazer escolhas.

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