Não é seriado de TV: Saramandaia, amor à primeira vista

Sim, amor à primeira vista parece existir mesmo e essa foi a sensação que me tomou ontem durante o primeiro capítulo de Saramandaia: o colorido e o cuidado com a fotografia enche os olhos. A escolha do elenco foi outro acerto: a cada personagem apresentado, a certeza da melhor escolha para o papel. Finalmente, o clima de fantasia fantástico com um pé na realidade – que nem deve tanto na parte “fantástica” da coisa – conquista.

Quando a primeira versão de Saramandaia foi ao ar eu estava nascendo. Na época a ideia era fazer troça da ditadura que já estava em declínio, agora, numa brincadeira de realidade fantástica que citei a pouco, a nova versão brinca com a força do povo e a corrupção dos políticos no poder justamente quando os brasileiros tomam as ruas das cidades.

Para quem perdeu: Bole-Bole é uma cidade pequena que passa por um momento de virada. O vereador João Gibão (Sergio Guizé, o Breno de Sessão de Terapia) conseguiu a aprovação de um plebiscito para a troca do nome da cidade para Saramandaia e colocou o povo do “poder” em polvorosa, a gente não sabe se por amor ao nome original ou se porque não foram eles que deram a ideia ou se é porque o povo é que vai decidir por eles e isso é inaceitável.

João Gibão acha que a mudança do nome será capaz de mudar a cidade e, quem sabe assim, ele cria coragem de assumir seu grande segredo: o moço tem asas de anjo. Ele até agora não contou isso nem para a namorada, que queima de verdade de desejo contido.

Sergio Guizé pode então nos mostrar o quão bom ator é: se o seu personagem em Sessão de Terapia era denso e depressivo, Gibão é esperançoso e doce. Eu demorei um tempo para reconhecer o moço tão grande a diferença.

Se Gibão foi surpresa, meu coração foi ganho mesmo por Risoleta (Debora Bloch), a dona da “pensão” que arrasou no velório de Cazuza (Marcos Palmeira) – calma, o moço já reviveu depois de colocar o coração pela boca – ao lembrar que todos os maridos da cidade batem cartão em seu estabelecimento de “família”; e para Aristóbulo (Gabriel Braga Nunes), que gasta no “saramandaiês” como ninguém e que causa arrepios por onde passa. Dizem que o moço vira lobisomem.

Tem ainda o Zico Rosado (Zé Mayer bem bonitão), que solta formigas pela boca, Zélia Vilar (Leandra Leal), uma veterinária de bom coração e cara pintada, Vitória Vila (Lilia Cabral, linda e elegante), que retorna a cidade depois de 30 anos para reencontrar seu pai com os pés transformados em raízes de verdade, e Dona Redonda (Vera Holtz irreconhecível), que abala a cidade a cada passo.

Bom, ninguém pode negar que não faltaram foram acontecimentos neste primeiro capítulo.

Infelizmente a partir de hoje a série escorrega para o horário das 23h e eu não sei se terei saúde para acompanhar, mas nada que uma senha Globo.com não salve, nem que com um dia de atraso.

Um texto muito bom sobre esse capítulo você lê aqui.

 

Escrito por Simone Miletic

Formada em contabilidade, sempre teve paixão pela palavra escrita, como leitora e escritora. Acabou virando blogueira.

Escreve sobre suas paixões, ainda que algumas venham e vão ao sabor do tempo. As que sempre ficam: cinema, literatura, séries e animais.

4 Comentários


  1. Eu queria acompanhar, mas o horário não é dos mais convidativos… devo me contentar em ver só um capítulo ou outro, mesmo. Simone, você lembra que no fim dos anos 80 teve uma versão mini de Saramandaia? Era um programa curtinho, uns 20 minutos, antes da novela das seis… os personagens estavam dentro de um trem… lembro muito bem do que botava formiga pela boca. Ou será que estou doida?!

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  2. Era bem criança quando a primeira versão foi exibida e não podia assistir sempre porque minha mãe mandava ir para a cama cedo (naquela época os filhos obedeciam os pais), mas quando via, adorava.
    A releitura está ótima, personagens perfeitos vividos por atores talentosos e sob medida para eles.
    Não conhecia Sérgio Guizé (não assisti a versão brasileira de “Em terapia”, só a americana com Gabriel Byrne) e fiquei pensando “nossa quem é esse moço? que bom ator!”.
    Não seria melhor dizer que o Professor Aristóbulo arrasa no “bolebolês”, já que entendi que ele é partidário dos que não querem mudar o nome da cidade.
    Texto delicioso, cheio de neologismos, espero que consiga assistir, ou pelo menos que lancem o dvd, já que não tenho senha globo.com…

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