Livro: a elegância do ouriço

“Ninguém soube. Li como uma alucinada, primeiro escondido, depois, quando o tempo normal de aprendizagem me pareceu superado, na cara de todo mundo mas tomando o cuidado de dissimular o prazer e o interesse que tirava daquilo. A criança fraca se tornara uma alma faminta.”

Eu acho que a primeira coisa que me atraiu em a elegância do ouriço foi a capa, que considerei linda, simples, delicada. Depois foi sua contracapa, que falava de Paris:

“Publicado em 2006, a elegância do ouriço logo se transformou numa das melhores surpresas da literatura contemporânea, com mais de 850 mil exemplares vendidos na França. A receita de Muriel Barbery pode parecer esquisita: reunir, num prédio sisudo de um bairro elegante de Paris, uma zeladora de meia-idade, culta e desconfiada, uma adolescente calada e pensativa, um senhor japonês misterioso e sorridente; acrescentar um cocker lúbrico, um crítico de gastronomia à beira da morte e uma faxineira portuguesa que nasceu para rainha. Mas o resultado é o mais delicioso dos romances filosóficos. Repleto de humor e birra, de crise adolescente e melancolia madura, a elegância do ouriço conduz seus personagens e seus leitores às questões que nenhuma vida vivida a fundo devia evitar: o tempo e a eternidade, a justiça e a beleza, a arte e o amor.”

Foi impossível não comprá-lo e passá-lo a frente dos demais livros da pilha. Depois foi praticamente impossível não devorá-lo, ao mesmo tempo em que eu adiava seu final, naquela loucura nossa de não querer terminar um livro quando você tem a certeza de que ele é um daqueles raros, marcantes, especiais, um dos melhores de sua vida.

Afinal, como bem dito no trecho fotografado acima, existe mais delicioso transe que a literatura? Eu não poderia ter escolhido melhor viagem para meu carnaval.

“Não quero criar caso. Ninguém quer saber de uma concierge que tenha pretensões.

Pretensões, mas a senhora não tem pretensões, tem gostos, luzes, qualidades”

Ah, e Renée, a protagonista de nossa história, a tal concierge culta de que fala a contracapa, é cheia de qualidades e manias. Uma pessoa tão rica, tão especial que é praticamente impossível não se apaixonar por ela logo ali, na segunda página. Seu encontrou com o tal japonês misterioso, o senhor Ozu não poderia ser mais interessante, curioso, rico, iluminado.

E isso porque Ozu não se prende a regras sociais e então enxerga o que ninguém mais vê…

“Eles não me reconheceram, digo. 

Paro no meio da calçada, completamente zonza.

Eles não me reconheceram, repito.

Ele também pára, e minha mão continua em seu braço.

É porque nunca a viram, ele me diz. Mas eu a reconheceria em qualquer circunstância.”

Sim, eu estou exagerando nos adjetivos, mas quero convencer a todos que vocês precisam ler este livro. Várias vezes. Ele nos faz chorar (vários vexames no metrô) e nos faz rir (as descrições dos encontros entre os diferentes cães do prédio e suas donas merecem destaque). Confesso: eu até pulei uns trechos quando entramos em discussões sobre filósofos russos e coisa e tal, mas são poucos trechos e se for preciso eu os leio também, se só assim eu puder ler o livro de novo.

E ele é poético. Mesmo que não seja de poesias. E eu me senti uma pessoa um pouco melhor por conhecê-lo.

“Não tenha medo, Renée, não me suicidarei e não queimarei nada de nada. Pois, por você, de agora em diante perseguirei os sempre no nunca. A beleza neste mundo.”

Escrito por Simone Miletic

Formada em contabilidade, sempre teve paixão pela palavra escrita, como leitora e escritora. Acabou virando blogueira.

Escreve sobre suas paixões, ainda que algumas venham e vão ao sabor do tempo. As que sempre ficam: cinema, literatura, séries e animais.

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