Tangos e Tragédias, de novo, desta vez no Auditório do Ibirapuera

Faz uns dez anos, acho eu, que eu e o Carlos, que depois virou marido, saímos do teatro da PUC SP seguindo uma dupla de artistas quase loucos (ou completamente loucos) que nos faziam cantar repetidamente palavras sem sentido e nos deixaram lá, em pé no hall da entrada, por um bom tempo, cantando e rindo, até que foram embora. Eu nunca esqueceria essa noite.

Semana passada, por conta da recente paixão da Carol por caveiras, resolvi lhe mostrar um vídeo do Romance de Duas Caveiras e, sabe-se lá porque, resolvi acessar o site do Tangos e Tragédias, mesmo sabendo que o vídeo estava no YouTube. Foi a tal providência agindo a meu favor, vejam vocês: um banner na entrada do site contava que a dupla formada pelo Maestro Plestkaya (Nico Nicolaiewsky) e o violinista Kraunus Sang (Hique Gomez) estaria no Auditório do Ibirapuera no final de semana do dia dos pais. Estavámos os três na sala de espera da psicóloga da Carol e enquanto ela entrava para a sessão eu entrava no site do Ibirapuera. Não tenho o costume de rejeitar os presentes que a providência traz.

A última vez que tínhamos estado no Auditório foi num show da Adriana Partipim com a Carol ainda pequena. Nesse meio tempo as coisas só melhoraram: você faz um cadastro no site e pode reservar as entradas lá mesmo. No mesmo dia recebi a confirmação de que os melhores ingressos para a data em questão eram na fileira D, de números 32, 34 e 36 e que após minha confirmação de interesse eu receberia o boleto.

Recebi o boleto no dia seguinte por e-mail. Paguei e pronto. Sem taxas adicionais, sem cobrança de entrega impressão ou o que valha. Só precisava estar meia hora antes do show no auditório para retirar os ingressos. Devo dizer que, em tempos em que as taxas de compra dos ingressos às vezes equivalem a comprar um ingresso adicional o sistema do auditório é de fazer inveja – e não venham me dizer que é só porque não existe diferença de preço não importa a fileira, porque o sistema permitiria você escolher ingressos de diferentes preços, mas a questão é que o auditório só tem lugares bons mesmo.

É claro que a facilidade de compra não é igual a facilidade de estacionamento. Esse é um dos problemas do auditório. Como as peças normalmente são à noite, parte dos estacionamentos do Parque já estão fechados, porque tem menos pessoal da segurança no horário, e a disputa de vagas é acirrada. Ainda mais quando temos uma feira acontecendo no prédio da Bienal, como aconteceu no sábado. Quase que o marido fica de fora do show. Pensamos em ir de táxi, mas aí, na saída, são poucos os carros disponíveis. Falei pro Carlos que da próxima a gente vai de van, como um simpático grupo da terceira idade tinha ido (fiquei encantada com todos, uns amores).

No fim, tudo certo. Entramos os três na sala cinco minutinhos antes do show começar. E ele passou rápido demais. Cantei junto as letras já conhecidas, me diverti com as novas brincadeiras. Carol, que sempre dorme cedo demais, brigou com o sono quando já passava das vinte e duas, mas assistiu a tudo, riu de tudo e se encantou com Kraunus Sang, assim como eu dez anos antes. Não deu muita bola para o Romance das Duas Caveiras, mas amou A Verdadeira Maionese.

Não dá para classificar Tangos e Tragédias como peça, nem como show. É arte, da melhor qualidade. Os dois são músicos fascinantes o humor é delicioso. Não é à toa que estão há 27 anos em cartaz: a gente revê várias vezes e continua aproveitando tanto quanto da primeira vez. Se tiver a oportunidade de ir, não deixe escapar. Até lá, dá uma olhadinha no YouTube para tentar entender o que eu estou dizendo.

Escrito por Simone Miletic

Formada em contabilidade, sempre teve paixão pela palavra escrita, como leitora e escritora. Acabou virando blogueira.

Escreve sobre suas paixões, ainda que algumas venham e vão ao sabor do tempo. As que sempre ficam: cinema, literatura, séries e animais.

3 Comentários


  1. eu sou a gaúcha mais fake de todos os tempos: não gosto de chimarrão, não como costela, e nunca assisti Tangos e Tragédias nestes 27 anos q eles estão em cartaz 😛

    (não, não sei por que, mas acabei nunca assistindo. mas conheço umas músicas através do Fabricio)

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    1. Risos, o chimarrão e a costela eu te entendo, não sou fã de nenhum dos dois, mas Tangos e Tragédias?? Esse mal tu precisa arrumar. Tipo: vou falar pro Fabrício dar um jeito nisso!

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