Amar a si mesmo

O post é longo, quem manda ficar sem escrever muito – penso em tantos posts enquanto caminho ou pedalo, mas na hora de escrever eles perdem a forma.

Em fevereiro do ano passado, inspirada e animada pela Fer, eu comecei a registrar as roupas que usava em meu dia a dia. O registro foi feito até outubro, oito meses em que quase todos os dias eu mostrava a minha cara aqui no blog. Com as viagens do marido as fotos foram rareando, até que parei de vez. Até tive vontade de registrar algumas vezes em que gostei muito do resultado ou quando estava estreando roupa nova, mas, numa dessas coincidências da vida, o marido nunca estava por perto nesses momentos e eu não consigo me imaginar tirando foto de mim mesma ou usando um tripé. Não funciona para mim.

Em abril a Fer também parou de registrar seus looks e eu fiquei pensando no que mudou na minha vida pelo fato de eu tê-la acompanhado nessa aventura por quase 08 meses:

1. Publicar fotos suas todos os dias lhe dá uma nova dimensão de quem você é. É engraçado isso, você consegue perceber detalhes seus aos quais você nunca tinha dado a devida atenção. E isso é muito bom: você percebe que muitas vezes é bem mais bonita do que acredita, que seu guarda-roupa é muito maior do que você sonhava e que, mesmo quando você erra, você aprende algo.

2. Você passa a se cuidar mais. É pura verdade! Mesmo hoje, em que não tiro mais as fotos, eu percebo em mim um cuidado maior com as minhas escolhas, e não é para aparecer ou agradar a alguém, é para agradar a mim mesma. Percebo claramente que eu fico muito mais animada quando tive esse cuidado maior na escolha – e o inverso também é verdadeiro, dias em que saio largada eu me sinto bem mais desanimada.

3. Você se torna mais criativa. Por mais que essa não seja uma característica sua, você não quer se repetir, então começa a olhar com outros olhos, começa a misturar mais. Para mim, que sempre meio que montei as roupas da mesma forma, comprei uma peça já pensando em outra, essas coisas, esse foi um dos maiores ganhos.

4. Você racionaliza mais. Eu, que sempre fiz limpezas anuais no guarda-roupa, tirei tudo de dentro dele em janeiro, passei peça por peça, rememorei as fotos que tirei, e eliminei muita coisa. Muita mesmo. Tô com um espaço enorme disponível, mas não saí comprando como louca para repor não. Porque eu tenho UM MONTE de roupa. E não, não tenho tantas, mas é que as que eu tenho são muito boas e podem ser usadas de mil maneiras.

5. Você consegue identificar o que realmente precisa. Eu, por exemplo, sei que estou precisando de uma camisa branca boa mesmo, de excelente corte, porque minhas camisas brancas já não são mais tão brancas e, definitivamente, é uma das peças que eu mais gosto.  Eu, que nunca fui compulsiva ando mais cuidadosa, mas tenho comprado um pouco mais, talvez porque eu já tenha essa lista mental do que já tenho e do que quero.

calça Zara/ camiseta Hering/ lenço 25 de março/ jaqueta Tess/ Bolsa e sapatilha Uncle K

6. Você descobre que peças que achava ridículas não ficam ridículas em você. Veja a calça de hoje. Ela é uma calça cenoura (carrot), quase uma saruel. Eu não pensaria em comprá-la, dizem que baixinhas devem evitá-la. Mas ao longo do exercício de me fotografar eu percebi que uma das calças que eu mais gostava era a boyfriend jeans, que tem características semelhantes: mais larga no quadril (tenho culotes e sempre me incomodei com isso), mais ajustada na barra. Comecei a procurar por calças com essas mesmas características nas lojas, só que de tecido diferente. Acabei com 3 calças de algodão (quase uma sarja) da Zara, uma de cada cor, mais saruel, mais folgadas e que usei muito muito muito no verão. Nos dias frios? Ganharam a companhia de sapatinhos de saltinho e blazer jeans, talvez um cachecol, ou um oxford. Continuei aproveitando muito. A de hoje é de alfaiataria e não é tão saruel. Foi comprada há um mês mais ou menos e não tem uma semana em que eu não a tenha usado pelo menos uma vez. Mesmo com camiseta e jeans ela dá uma levantada no visual, deixa com cara de chique. Outros dias eu coloco com camisa, blusinha de tecido, muda tudo, mas a base é a mesma.

7. Você presta mais atenção aos outros. E não é de maneira crítica, você procura por mais referências, até para poder ser mais criativa.

8. Você arrisca mais, porque descobriu que, na maior parte das vezes, você acerta. Eu tenho arriscado mais nas cores, nas misturas.

9. Você faz bem a si mesma. Pense comigo: se você está se dando ao trabalho de escolher cuidadosamente o que vai vestir e registrar isso, você está gastando tempo com você. Coisa que, na correria do dia a dia, muitas vezes não fazemos. Seu corpo e seu coração percebem isso. E isso faz um bem danado.

Eu aconselho a todas a tentar isso. Não quer publicar? Tudo bem, tire as fotos, coloque em seu computador, compare, marque o que usou. faça só para você. Acha que tem pouco roupa? Registre o máximo tempo que puder, não se preocupe se vai parar de repente. O objetivo não é se tornar uma consumidora voraz ou se mostrar para os outros. Garanto que vai aprender muito mais sobre quem é e o que gosta.

As olheiras? Carol acordou as 04h porque sonhou com o lobisomem, ficamos até quase 06h conversando abraçadas. Elas valeram a pena.

A sapatilha foi meu presente de Dia das Mães. Confortável até dizer chega, ainda mais para quem adotou andar e pedalar pela cidade. A bolsa também foi escolhida por conta disso: a tiracolo, mas com alça regulável, já que de bike preciso deixar a bolsa mais para cima, nas costas. falando nisso, tenho várias bolsas para me desfazer, que não combinam mais com meu estilo de vida. Algumas estão novinhas, todas de marca boa. acho que vai rolar um blog de desapego, risos.

Escrito por Simone Miletic

Formada em contabilidade, sempre teve paixão pela palavra escrita, como leitora e escritora. Acabou virando blogueira.

Escreve sobre suas paixões, ainda que algumas venham e vão ao sabor do tempo. As que sempre ficam: cinema, literatura, séries e animais.

11 Comentários


  1. Si, posso assinar embaixo de TUDO o q tu disse? pq olha, minhas epifanias com ele foram muito parecidas com as tuas sim! tava lendo e balançando a cabeça, “isso!, é isso mesmo!”, ahahahaha.

    às vezes rola vontade de registrar de novo. duas vezes coloquei no Tumblr. penso em criar um blog novo, ou reativar o velho, e de vez em qdo colocar as fotos. ou não, pq meu fotógrafo tbm não tem tido tempo. sei lá, não quero ter q decidir nada agora 🙂

    e qto a sessão desapego de bolsas… olha, quero ver elas primeiro, hein? pq bolsa nunca é demais, e eu ando com uma vontade de comprar uma nova q vou te contar!

    beijo, minha querida!

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    1. Amigaaaaaaaaaaaaaaaaaa!
      O bom era que vc tivesse saco para escrever de outras coisas, fazer um blog multi assunto, aí, de vez em quando, vc ia lá e colocava a fotinha. EU sinto falta das suas fotinhas, viu? beijos

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  2. Simone sabe o que mais gostei de tudo: o titulo.
    Acho que a gente precisa de amar mais, mais lembrar disso com mais frequencia tambem, porque as vezes acho que nos perdemos no meio de tantas coisas para fazer, e como mae, acabamos por vezes, nao nos priorizando.
    Adorei te conhecer mais, obrigada por essa oportunidade. Sem dizer que, sempre acompanhei seus looks diarios, e confesso que me inspirou muito, mesmo sem registrar, passei a cuidar mais de mim tambem, apesar de estar mais “largada” agora novamente.
    Posso pedir: quando der vontade, tira foto e posta, e’ legal! Eu gosto e deve ter um monte de gente que gosta, principalmente porque sempre tinha algum texto otimo junto, nao so aquela coisa de foto e de onde sao as pecas.
    Abracos e otimo final de semana, ta chegando.
    Gra

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    1. Oi Querida!

      Obrigada por tudo que disse! É sempre gostoso ver como fazemos diferença na vida das pessoas. Prometo que continuarei dando as caras aqui de quando em vez. Beijossss

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  3. Simone,

    Acompanhei todos os teus looks, adorei um monte de peça que você mostrou – até hoje sonho com um vestido com gatinhos 😀 – e, desde que comecei a ver tuas fotos, tive vontade de fazer o mesmo. Na pressa de sair pra trabalhar, cedinho, com sono, uso sempre as mesmas peças, as mesmas combinações (tipo a camiseta nude sempre com a sapatilha vermelha, blusa preta com o mesmo colar colorido…). Tenho pouca roupa, mesmo!, mas tenho certeza de que, com mais paciência pra acessórios e combinações, os looks poderiam ficar bem mais divertidos. Concordo com você, acho que as fotos podem ajudar a pensar melhor no que vestir – mesmo não publicando as imagens…
    Só preciso pensar em um lugarzinho pra montar o tripé e deixar a câmera sempre pronta porque, ao menos nas fotos de saída pro trabalho, teria que tirar sozinha mesmo…
    Beijo e obrigada pela inspiração! 🙂

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  4. Pra ter uma ideia do que tinha no meu armário (que estava atulhado, apesar de eu limpar uma ou duas vezes por ano), fiz um projeto semelhante entre outubro do ano passado e o início de maio deste ano. Fotografei cada figurino (mas mantive as fotos só pra mim) e a idéia era doar tudo que não ficasse bom ou não fosse usado nesse prazo. Concordo integralmente contigo, o aprendizado é enorme. Valeu muito a pena e recomendo a experiência. 🙂

    E meu armário agora está mais racional. 😉

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  5. Adorei, vou colocar em prática já! As vezes nos sentimos pra baixo e esses comentários nos impulsionam a mudar para melhor.

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  6. Poxa, amei esse texto. Obrigada, vc abriu meu olhos (e a mente): esses blogs de look não são necessariamente de exibicionismo (olha só o preconceitozinho que eu tinha). Fiquei com vontade de fazer uma experiência dessas , sem publicar na internet. Bjo 🙂

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    1. Oi Dri, eu confesso que eu pensei muito antes de começar a postar os looks, também pensava muito em exibicionismo, só acabei topando pelo desafio da minha amiga e acabei descobrindo tudo isso. Beijos

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