Um voz que canta a viola em São Paulo

Com e sem esforço......

Foto de Fernando Innecchi

Na corrida para chegar ao médico no horário deixei no escritório meu iPod. O acaso encontra uma forma de nos dar presentes.

Saindo do trem na estação Vila Madalena olho em volta, o movimento de todos num único sentido. Por mais que eu seja uma pessoa dada a solidão (gosto mesmo de ficar só), adoro olhar as pessoas, as diferenças, admirar os sorrisos, como uma espectadora ávida pela próxima história.

A caminho da escadaria começo ouvir ao fundo uma linda voz que canta: “minha viola vai pro fundo do baú, não haverá mais ilusão, quero esquecer, ela não deixa, alguém que só me fez ingraditão…”

Olho para trás e um menino, seus 16, 17 anos talvez, canta com tanto sentimento que é quase possível acreditar que, mesmo tão novo, ele já tenha tido uma desilusão. Ele não tem um fone de ouvido, canta como lembra da música, canta alto, sem vergonha dos olhares, ou sem vergonha porque sabe que a maior parte das pessoas está perdida em seus próprios pensamentos, sem prestar atenção a sua volta.

Subimos juntos a escadaria, eu sigo com a cabeça a letra que ele repete, ao fim dela o fim da música. Trocamos um sorriso e cada um segue seu caminho.

O acaso que sempre encontra uma forma de nos dar um presente.

Uma boa noite para vocês!

Escrito por Simone Miletic

Formada em contabilidade, sempre teve paixão pela palavra escrita, como leitora e escritora. Acabou virando blogueira.

Escreve sobre suas paixões, ainda que algumas venham e vão ao sabor do tempo. As que sempre ficam: cinema, literatura, séries e animais.

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