Como eu disse, a leitura de Diários de Bicicleta ainda renderá muito assunto por aqui e o motivo é simples: David Byrne tem tantos interesses, tantas experiências, conhece tanto, que é impossível ler ao livro e não aprender um tanto de coisa, impossível não começar a refletir sobre a forma como você vive e sobre a forma como você olha o mundo.
Só que, antes de sair abordando o quanto os assuntos do livro me fizeram refletir, achei uma boa falar sobre o livro em si.
Como o próprio nome diz, se trata de um diário pessoal, então ele não fala sobre o uso da bicicleta no mundo o tempo todo, em poucos momentos ele fala sobre os motivos que o levaram a escolher a bicicleta, mas ele fala muito sobre como algumas cidades do mundo tratam o ciclista e, mais que isso, ele fala do mundo que ele conheceu sentado no selim de sua bicicleta dobrável.
Ele fala de uma Manila que eu nunca imaginei e de uma Austrália estranha, aonde a natureza pareceu não receber tão bem o ser humano como eu achava que tinha acontecido.
Ele fala de uma Berlim antes e depois da queda do muro. ele fala de uma São Francisco cheia de subidas, mas cheia de bicicletas.
E, no meio de tudo isso, ele ainda fala de música, de arte, da vida na cidade, da forma como as pessoas agem, de como os Estados Unidos cresceram de forma estranha – enquanto planejamento de suas cidades – e fala de pessoas que tem trabalhado constantemente para que a bicicleta seja aceita, mais que isso, que o ciclista urbano seja considerado parte da paisagem cotidiana de cada cidade.
Apesar de nenhum cidade brasileira dar nome a algum capítulo, ele cita de passagem Salvador, cidade pela qual nutre especial carinho, do Rio de Janeiro e de Curitiba, ou para ser mais exata, de Jaime Lerner.
Por tratar de assuntos tão diversos eu aposto que você não vai gostar de tudo, em algum capítulo você pode se entediar, ou pular uns pedacinhos, mas no final da contas o conjunto vale muito a pena e se você se sentir assim ao longo do caminho é porque, em todo ele, o livro é muito pessoal. E a gente nunca gosta de absolutamente tudo sobre uma pessoa, não é mesmo?
No meu caso eu não gostei muito da parte em que ele fala de um grupo artístico de São Francisco cujas peças se referem a enormes máquinas que atiram coisas com força e em outra em que ele fala de um artista europeu que faz obras chocantes que incluem mulheres nuas e excrementos.
Mas, como eu disse antes, isso não diminui de forma alguma a qualidade da hora, porque mesmo nesses capítulos você aprende um pouco sobre a forma desse homem enxergar o mundo.
Uma leitura que vale muito a pena.
Por R$ 39,20 para quem faz parte do programa Mais Cultura da Livraria Cultura.

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