Por mais teatro no Brasil!

Eu confesso: não lembro qual foi a primeira peça de teatro que vi. Acho que eu era pequena demais. Teatro, para os meus pais, era diversão de fim de semana, normalmente em alguma unidade do SESC SP.

Mas lembro da última peça de teatro “adulto” a que assisti: eu estava na última semana de gravidez e Paulo Autran e Celso Thiré estreavam no Teatro da FAAP com a peça Variações Enigmáticas. Eu não podia correr o risco de não ver, então segui com aquela barriga enorme e uma almofadinha para vê-los no palco. Sentei na primeira fileira.

Fiquei inebriada! Não tenho dúvida alguma de que Autran era sim um senhor dos palcos.

E nada se compara ao prazer de se ver um ídolo assim, tão de perto, fazendo com que sua imaginação viaje e todas as emoções fluam. E isso sem usar de recursos caros, tudo resumido a suas expressões e sua voz.

Por mais que Autran e seu papel, um garanhão que colecionou amantes antes de se isolar em uma ilha, aonde acaba por receber a visita do marido de uma de suas ex, não tivessem nada em comum – Autran nunca foi um galã – ali ele era tudo aquilo e um pouco mais.

Depois dessa peça nasceu a Carol e desde muito pequena eu a levo a todas as peças infantis possíveis e imagináveis. Eu e ela estamos aproveitando muito bem essa onda de musicais que tomou a cidade de São Paulo nos últimos anos.

Mas, mesmo em São Paulo, o teatro ainda é uma diversão para poucos: os preços nem sempre camaradas não ajudam e, muitas vezes, as pessoas se sentem intimidadas, encarando aquele como um programa de ricos. Tão diferente da origem do teatro, nas feiras de Idade Média.

E para quem não é de São Paulo, então, a coisa pode ficar ainda mais complicada: a distância e a falta de investimento muitas vezes impede que uma peça viaje por um país cujas dimensões são continentais.

Isso sem falar no número de pequenas cidades que nem ao menos uma sala de teatro possuem.

Foi pensando nisso que foi criado o projeto Mais Teatro Brasil, que tem por objetivo reunir assinaturas para um projeto de lei que garanta que cidades com mais de 25.000 habitantes possuam uma sala de teatro.

Sei que essa pode não ser a solução, sei que ainda existe um sem número de questões a serem resolvidas. Mas se formos esperar ter tudo pronto talvez a gente nunca chegue a lugar nenhum: é do pequeno passo que se faz a caminhada.

E, se um ator no palco, às vezes sem recurso algum, nem cenário, é capaz de fazer brilhar a mais fascinante história, porque não ajudar para que ele tenha um espaço para fazê-lo?

Cultura e educação caminham juntos e nunca são demais.

Você pode conhecer mais sobre a campanha lendo este material e também pode ver quem mais está envolvido nesse projeto de blogagem coletiva de incentivo acessando o blog da Samatha Shiraishi.

Tem também esse ótimo texto da Lilian Ferrari, cujo blog também conta com um widget para que você possa assinar e aderir a campanha.

Escrito por Simone Miletic

Formada em contabilidade, sempre teve paixão pela palavra escrita, como leitora e escritora. Acabou virando blogueira.

Escreve sobre suas paixões, ainda que algumas venham e vão ao sabor do tempo. As que sempre ficam: cinema, literatura, séries e animais.

7 Comentários


  1. Sintetizou aqui Si: “Cultura e educação caminham juntos e nunca são demais.” Realmente, como no caso da nossa militância no @todoseducacao, há muito mais a ser feito, mas temos que começar em algum lugar, né?
    Obrigado por sua participação – e super sorte sua que cresceu tendo teatro do SESC pertinho! 😉

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    1. Acho que é muito fácil a gente dizer que não irá a lugar nenhum ou que só isso ou aquilo não basta, se comprometer com algo, por menor que seja, é sempre sujeito a críticas. Eu fiquei muito feliz de dar uma pequena contribuição!

      Responder

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