Opinião: Alice

Alice

Eu não sabia ao certo o que esperar de Alice, nem se seria série ou minissérie, apenas desconfiava de que seria baseada no livro Alice no País das Maravilhas, livro que não li e com o qual meu único contato foi o desenho da Disney com supervisão de Salvador Dalí e que, depois de adulta, sempre me pareceu obra de alguém sob efeito alucinógenos.

Pois a minissérie do SyFy é uma mistura das duas obras de Lewis Caroll, a já citada e a seguinte Alice no País do Espelho. Do primeiro temos referências ao Chapeleiro, o Coelho branco (aqui transformado no símbolo de uma empresa que explora humanos, sequestrados para esse mundo paralelo, como fontes de chás de sentimentos) e a Rainha de Copas (Kathy Bates em mais um dos papéis em que ela não se leva a sério).

Alice é interpretada pela linda Catarina Scorsone, que tem ficha grande no IMDB, mas em quem eu nunca havia prestado atenção. Ela atravessa um espelho atrás do namorado sequestrado por um homem que usa dos rabos de cavalo brancos, presos de maneira a lembrar as tais orelhas do coelho branco. A passagem através do espelho é referência clara ao segundo livro de Carroll.

Pois as referências acabam aí: a obra do SyFy é muito mais absurda que o desenho de Disney ou qualquer quadro de Dalí. Se você não levar nada a sério talvez consiga se divertir em alguns momentos, mas em bem poucos. O roteiro não é lá muito elaborado e algumas cenas são tão toscas – falei tosco e lembrei-me do figurino de novela B de canal D de país latino-americano – que você até sente vergonha alheia.

Alice

A Alice da vida real é professora de karatê, o que explicaria como ela consegue derrubar os engravatados com facilidade – são os membros do exército da rainha, sentiu o drama? – mas torna inexplicável as falhas de marcação: várias vezes a cena começa e todos ficam parados por segundos intermináveis antes de fazerem o que devem.

O primeiro episódio é um suplício em seus primeiros 45 minutos. É necessário respirar fundo e continuar. Na segunda parte eu acredito que nem eles estavam mais aguentando – O que é aquele príncipe com cabelo oxigenado que era moreno até ainda ontem? O que fizeram com o bonitão de Crusoe? – e tudo vira uma grande brincadeira.

O cavaleiro covarde, os motoflamingos voadores, o assistente da rainha – o que é aquele chapéu? – Tim Curry em um papel em que ele ganha o nome de Dodo, Harry Dean Stanton vivendo num escritório em que a recepcionista brinca com baratas e Colm Meaney fazendo pose. Dá para imaginar tudo isso em uma obra só?

Ao terminar você só consegue pensar: por que raios Kathy Bates aceitou participar desse negócio?

Escrito por Simone Miletic

Formada em contabilidade, sempre teve paixão pela palavra escrita, como leitora e escritora. Acabou virando blogueira.

Escreve sobre suas paixões, ainda que algumas venham e vão ao sabor do tempo. As que sempre ficam: cinema, literatura, séries e animais.

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